terça-feira, 1 de setembro de 2009

um capítulo: arrochando no são joão


caraíva, 26 de junho de 2008:

aqui está lindo. dias ensolarados de dia e friozinho à noite, a lagoa do Lagoa nunca esteve tão linda. água transparente. menos mal que andou chovendo e a lagoa encheu. estava 1/3 seca e os sapinhos nem cantavam mais. estava morrendo de dó deles. voltei mais sensível depois de 10 dias na cidade grande. depois dessa vivência moradora de Caraíva, voltei meio assustada com o ritmo acelerado daí. eu mesma já cheguei em BH acelerada sem perceber. estímulo-resposta, que perigo! me sinto mais privilegiada do que nunca de voltar a respirar ar puro, olhar pro céu estrelado, tomar café da manhã sem pressa, de correr na praia deserta, dos temperinhos da Jô, de acordar na hora que o organismo quer. também passei a reparar coisas que eu não prestava muita atenção, algo do tipo cores dos passarinhos, horta e pedi pro Bené me dar uma aula de maré porque jurei pra mim mesma que agora aprendo de vez como ela funciona. pretendo pra poder descer o rio nadando desde a prainha de vez em quando ou quando tiver companhia. não por medo de engastalhar no mangue ou de jacaré, mas de seres invisíveis! segunda e terça teve festa de São João aqui. a escola ficou uma semana de férias mas não teve quadrilha. a praça toda decorada de bandeirinhas, lua cheia, a igreja aberta, uma fogueira em frente dela, um palco enorme. o Lagoa fechou e o Iratan fez uma barraca de bambu linda lá pra gente, com folhas de bananeira. era a mais linda da festa, toda enfeitada com florzinhas coloridas de papel crepom e entre as delícias típicas, batida de amendoim, bolo de fubá cremoso e espetinho. eu fui toda animada achando que ia rolar festa e banda boa de forró, mas depois de tanta propaganda enganosa, subiu ao palco, uns barangos que tocavam arrocha. as letras eram pérolas como: "meu pipi no seu popô", "vontade de beijar a sua buuu-chechinha" ou "encontrei a patricinha e a piriguete vamos ver quem é a melhor do boquete", acredita? e pra finalizar o show, "créu". ninguém estava dançando, nem o povo daqui gostou. era tão fácil agradar. os daqui quase não gostam de brega, eles adoram forró. no meio disso tudo, nada melhor do que ter aquele olhar antropológico pra substituir uma cara de comeu e não gostou. no mais, ontem o Bené fez ariacó assado, de comer rezando, como dizem por aqui. e hoje o Jojó chamou na beira do rio e deu pra gente um balde cheio de peixe que, sem exagero, eu custei a carregar.
quando voltei, fiquei assustada, nunca vi Caraíva tão vazia, mas em dois dias me acostumei de novo com o paraíso. e enquanto não rola nada de novo, turistas ou idas inesquecíveis a Arraial d´Ajuda (descobri esse outro paraíso fora de temporada), me divirto aqui com meus livros e 18 DVDs que trouxe na mochila.

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